Artigo
Por Luna Rodrigues Freitas Silva - Psicóloga clínica. Mestre em Saúde Coletiva pelo IMS–UERJ.Endereço eletrônico: lunarodrigues@yahoo.com.br.
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RESUMO
Este artigo trata das inovações acerca dos modos e das experiências de envelhecer que se vêm configurando nos últimos anos. Hábitos, imagens, crenças e condutas atreladas ao envelhecimento vêm–se alterando de forma significativa, determinando o surgimento do que se convenciona chamar de experiência da terceira idade. Mas, ainda que represente inovação e, sob muitos aspectos, seja descrita como uma reformulação extremamente positiva das possibilidades de envelhecer, o surgimento da terceira idade gera também questionamento e debate. Para compreender o estatuto desta experiência que surge no cenário contemporâneo, procederemos a um mapeamento da discussão acerca da terceira idade na literatura especializada, mais especificamente no que se refere a seu caráter de inovação em relação à identidade da velhice. Três hipóteses se destacam nesta análise: a primeira sugere que a terceira idade pode ser entendida como uma nova identidade, autônoma e diferenciada da identidade da velhice; a segunda, que seu surgimento pode ser compreendido como uma negação social da velhice propriamente dita; e, finalmente, a terceira hipótese supõe que as características da terceira idade são tributárias da experiência geracional de determinado grupo social. As principais hipóteses de entendimento da terceira idade são apresentadas e discutidas tendo em vista as possibilidades de criação, diversificação e inovação da experiência subjetiva.
Palavras–chave: envelhecimento; identidade; terceira idade.
Introdução
Palavras–chave: envelhecimento; identidade; terceira idade.
Introdução
Ao observarmos o processo de envelhecimento na contemporaneidade, identificamos o surgimento de condutas, hábitos, crenças e imagens que alteram significativamente as concepções tradicionalmente associadas às etapas mais tardias da vida. No lugar das tradicionais imagens que articulavam o envelhecimento somente ao descanso, à quietude e à inatividade, surge um modelo identitário que inclui, em sua definição, o estímulo à atividade, a aprendizagem, a flexibilidade, o aumento da satisfação pessoal e a formação de vínculos afetivos inéditos.
Estas características estão reunidas sob o signo da "terceira idade", o rótulo que vem sendo utilizado para identificar a nova sensibilidade que passa a compor o processo de envelhecimento. No entanto, a inovação trazida pelo fenômeno da terceira idade é não só valorizada, mas também muito criticada, tanto nos meios acadêmicos dedicados ao seu estudo como em outros setores da sociedade. Pode–se verificar que a terceira idade gera polêmica e discussão. Mas, do que trata esta polêmica? Quais são os principais argumentos que permeiam o debate? Como vem sendo qualificado o fenômeno da terceira idade?
Neste artigo, pretendemos mapear a discussão sobre o fenômeno da terceira idade na literatura especializada, especialmente no que se refere à sua inovação em relação aos modelos de envelhecimento até então vigentes. O debate acerca do fenômeno da terceira idade inclui a suposição de que a mesma pode ser entendida como uma nova identidade, autônoma e diferenciada da identidade da velhice; que o seu surgimento representa, de fato, uma espécie de negação social da velhice propriamente dita; e, ainda, que o fenômeno que a constitui é a experiência de envelhecimento de uma geração específica, não passível de transposição para futuras gerações. Deste modo, parece–nos possível acrescentar informações relevantes ao entendimento deste novo fenômeno, que transforma os modos de envelhecer e se apresenta como desafio para os profissionais empenhados em compreendê–los.
A terceira idade é uma nova identidade etária?
Estas características estão reunidas sob o signo da "terceira idade", o rótulo que vem sendo utilizado para identificar a nova sensibilidade que passa a compor o processo de envelhecimento. No entanto, a inovação trazida pelo fenômeno da terceira idade é não só valorizada, mas também muito criticada, tanto nos meios acadêmicos dedicados ao seu estudo como em outros setores da sociedade. Pode–se verificar que a terceira idade gera polêmica e discussão. Mas, do que trata esta polêmica? Quais são os principais argumentos que permeiam o debate? Como vem sendo qualificado o fenômeno da terceira idade?
Neste artigo, pretendemos mapear a discussão sobre o fenômeno da terceira idade na literatura especializada, especialmente no que se refere à sua inovação em relação aos modelos de envelhecimento até então vigentes. O debate acerca do fenômeno da terceira idade inclui a suposição de que a mesma pode ser entendida como uma nova identidade, autônoma e diferenciada da identidade da velhice; que o seu surgimento representa, de fato, uma espécie de negação social da velhice propriamente dita; e, ainda, que o fenômeno que a constitui é a experiência de envelhecimento de uma geração específica, não passível de transposição para futuras gerações. Deste modo, parece–nos possível acrescentar informações relevantes ao entendimento deste novo fenômeno, que transforma os modos de envelhecer e se apresenta como desafio para os profissionais empenhados em compreendê–los.
A terceira idade é uma nova identidade etária?
Peter Laslett (1989) foi um dos primeiros autores a propor o entendimento da terceira idade como uma nova e diferenciada etapa da vida, que se interpõe entre a idade adulta e a velhice propriamente dita1. Para o autor, as mudanças demográficas e, principalmente, o aumento da expectativa de vida trouxeram transformações surpreendentes para o curso da vida e exigiram a criação de novos "mapas de vida" (LASLETT, 1989, p.viii). De fato, a extensão do curso da vida torna disponível aos sujeitos algumas décadas ou, no mínimo, anos de vida, cujo sentido não está disponível no campo social e, portanto, precisa ser formulado. Laslett questiona: "como iremos utilizar essa inesperada, surpreendente liberação da mortalidade? Como iremos nos comportar agora que todos podemos esperar sobreviver a praticamente o limite natural máximo da vida, seja ele qual for?"2 (p. I).







