"Eu não tenho idade. Tenho vida." (Vânia Toledo)

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Quedas internam um idoso a cada 8h na região de Ribeirão Preto

Estudo feito pela Secretaria de Estado da Saúde mostra que maior parte dos acidentes acontece em casa e de dia

Por Mariana Lucera

Weber Sian / A Cidade
Arabela Duarte, 81 anos, quebrou o fêmur em uma queda
(Foto: Weber Sian / A Cidade)
Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo aponta que, na região de Ribeirão Preto, um idoso é internado, em média, a cada oito horas em hospitais públicos, vítima de quedas.

A região teve 1.008 casos de internações de idosos por quedas em 2012. Desse total, 60% são mulheres com mais de 60 anos, como Arabela Duarte, 81.

Ela conta que, recentemente, já caiu duas vezes, mas não teve ferimentos graves. Porém, há dois anos, levou um tombo no banheiro, quebrou o fêmur da perna direita e precisou ficar três dias internada.

Desde então passou a usar uma bengala e não recuperou totalmente o equilíbrio.

“O interessante é que, quando a gente vê, já está no chão. Quando perguntam se tropeçou, sentiu tontura, não lembro de nada”, conta Arabela.

Para evitar novos tombos, Arabela conta que tirou todos os tapetes da casa do caminho.

O geriatra Anderson Della Torre, coordenador médico do Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia (IPGG), unidade da Secretaria na zona Leste da capital paulista, explica que quanto maior a idade, maior risco de queda essa pessoa apresenta.

“Conforme a pessoa envelhece, ela vai perdendo sua capacidade muscular, a pele fica mais fina e o idoso tem a reserva funcional diminuída. Além disso, ele perde reflexo e percepção dos pés”, explica Torre.


Em casa

O especialista alerta que os números são preocupantes, pois 80% das quedas ocorrem dentro de casa e no período diurno.

“Quanto mais idade o paciente tiver, mais difícil é a recuperação, principalmente porque ele fica com medo de cair outra vez. Então o processo de reabilitação desse paciente precisa ser o mais rápido possível”, explica Torres.

Dos idosos acidentados, 27% terão complicações graves, como fraturas e necessidade de ficar na cama, o que acelera ainda mais a perda de massa muscular.


Exercício ajuda a prevenir

O geriatra Anderson Della Torre, coordenador médico do Instituto Paulista de Geriatria e Gerontologia (IPGG), explica que é possível prevenir a queda dando atenção a algumas doenças.

“Diabetes descompensada, hipertensão, doenças pulmonares também são fatores que tiram o equilíbrio dos idosos e contribuem para quedas”, afirma Torre.

Segundo ele, o exercício físico é uma forma de prevenir quedas no futuro, porque ajuda a manter os músculos em atividade e sem atrofiamento, além de melhor a massa óssea do indivíduo.

“Se o idoso fizer um treino de marcha, ele já vai estar cuidando para melhorar e manter seu senso de equilíbrio”, afirma Torres.

O especialista também alerta que o uso exagerado ou incorreto de medicamentos na terceira idade também é muito comum e trás complicações que podem resultar numa queda.

“São fatores intrínsecos, que muitas vezes não são levados em conta”, diz.



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